domingo, 22 de junho de 2025

Pitacos - Irã e Israel/EUA

O ataque dos EUA não foi ao Irã, apenas, mas simbolicamente a qualquer país que se pretenda nacionalista (se você acha que ser brasileiro e jurar fidelidade à bandeira dos EUA é ser nacionalista, pode parar por aqui).


Israel atacou o Irã, contrariando convenções internacionais (como atacar hospitais e estruturas ligadas ao jornalismo) e, quando começou a sofrer retaliações, pediu socorro aos EUA. Fica a sensação de que houve uma derrota moral de Israel ao pedir ajuda ao dono do país.

A resposta chinesa não costuma ser rápida, mas acho que desta vez a morosidade cobrará um preço. Russos tendem a dar apoio, mas de forma discreta, já que não conseguiram salvar o aliado sírio Bashar al-Assad por estarem envolvidos com a Ucrânia.

Enfim, o império tirou sua máscara e revelou sua face.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Verão, chuvas e as discussões rasas

Dia desses, em um desses fóruns online, me deparei com uma reclamação em relação às chuvas.
Cidade de baixo d'agua dnv 
Não sei de quem é a culpa, deve ser de São Pedro
Sendo texto publicado aleatoriamente na internet, fiquei pensando nas prováveis camadas de provocação embutidas nele, mas resolvi responder de uma forma tranquila e minimamente acadêmica. Como eu responderia se tal diálogo acontecesse em sala de aula? 

Não é tão simples assim. Por exemplo, se analisarmos a cidade de SP, os bueiros se tornam protagonistas, mas do jeito errado. Ocorre que importantes avenidas foram construídas através da canalização de rios, conforme o vídeo abaixo.

 

Quando chove, não são os bueiros entupidos que causam enchentes, mas os rios, que estão embaixo das avenidas e que, diante da pressão das águas, invadem essas avenidas. Não deixa de ser uma péssima forma de administrar o território. 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

A Ucrânia, de novo

Ao fim da Guerra Fria, o Top 3 de nações nucleares mostrava EUA, Rússia e.. Ucrânia.

À época, o debate era a respeito do país entregar ou não as ogivas à Rússia. Havia uma grande confiança dos EUA na democracia russa e parecia ser natural conduzir a discussão sobre a Ucrânia com cordialidade. Ainda na década de 1990, a Ucrânia concordou em ceder seu arsenal aos russos.

Algumas considerações podem ser feitas:

- existiam os que argumentavam que, sem as armas, seria questão de tempo para que os russos invadissem. Contudo, ficar com as armas significaria manter o país isolado econômica e politicamente, coisa que não se desejava.

- os ucranianos tinham as ogivas, mas não sabiam fazer a manutenção. Logo, era questão de tempo para que a Ucrânia se tornasse um país isolado, armado e pobre.

- Irã e Coreia do Norte têm sua própria visão sobre o que a Ucrânia deveria ter feito. Por outro lado, a existência desse arsenal ao lado da OTAN poderia ser um grande problema (seja pela cobiça europeia, seja por um risco de corrida armamentista regional).

Além disso, não vejo como sendo possível uma eventual guerra se iniciando na região, pois:

Não faz sentido comparar nazismo com comunismo

Só pra deixar claro, a respeito da falsa ideia de que comunismo se equipararia ao nazismo.

- o comunismo é uma doutrina herdeira do iluminismo, sendo humanista em sua essência. 

- o nazismo é o oposto, sendo uma reação ao iluminismo, atacando seus ideais de universalismo, de conhecimento, de humanismo. 

- a polêmica entre eles não faz nenhum sentido. Não existem paralelos, não se pode equipará-los só porque existiram mortes em tais sistemas, afinal, quando há morte, autoritarismo e opressão no comunismo, algo deu errado. Quando há morte, autoritarismo e morte no nazismo, é sinal de que deu certo.

E, francamente, enquanto vocês debatem essas coisas, lembrem-se que há gente com fome. Vejam como suas posições ajudam a resolver o problema. 

Podemos supor que existam, ainda, dúvidas sobre a diferença entre um sistema e outro.

Goebbels tem um recado importante para a esquerda brasileira



Discurso de Goebbels, proferido em 1936, dias antes da famosa queima de livros de Berlim, episódio que marcou a intolerância nazista, fala sobre os perigos de tolerar os intoleráveis.

É um dos maiores nazistas da história, ensinando pq não se deve deixar nazista ter liberdade de expressão. 

"Se eles fossem mais inteligentes que nós, teriam nos detido. Pois estavam com o poder nas mãos.

Quando eles disseram "Mas nós demos liberdade de opinião para vocês!"

Sim, claro, vocês deram. Mas isso não quer dizer que devemos fazer mesmo por vocês (a plateia ri)!

Ter nos dado a liberdade é a prova que vocês são burros. 

Texto - @joelpaviotti 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sobre a crise da Venezuela

Há pouco mais de um ano sou moderador de um grupo de Professores de Geografia no Facebook. Normalmente, minha função é manter a comunidade limpa, excluindo autores de agressões ou daquilo que vá contra os direitos humanos. Faz parte das regras da comunidade, inclusive, a compreensão de que lá deve haver um ambiente de diálogo.
Alguns assuntos, entretanto, são acionadores de um comportamento bastante infantil no modo com que fazem suas próprias análises: veganismo, socialismo, Bolsonaro e Venezuela. Uma determinada postagem chamou a atenção.

Após aguentar todo tipo de postagem, que envolviam coisas tão complexas quanto emojis e respostas do tipo "vá pra Venezuela, resolvi comentar o texto abaixo.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Meu comentário numa reportagem da BBC Brasil

A excelente página da BBC Brasil lançou uma reportagem apontando a evasão escolar como raiz dos problemas de violência. Artigo muito bom, cuja leitura é bastante interessante.

Senti-me provocado a escrever alguma coisa e, na página da BBC no Facebook, escrevi o seguinte.

Sou professor desde 2004 e lecionei em quase todos os níveis possíveis, tendo passado por cursinhos pré-vestibulares (alguns voluntariamente), colégio religioso e colégios particulares, sendo que atualmente leciono somente nesse tipo de instituição. Acredito que minha experiência mais marcante foi, justamente, ao lecionar Geografia na Fundação Casa de Sorocaba, onde fiquei anos suficientes para ver alunos entrarem, saírem e retornarem.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Precisamos falar sobre a política nacional

Vivemos no sistema capitalista, embora algumas pessoas finjam que isso não existe ou não deveria ser interpretado como algo que não é natural per si.
Dentro desse modelo, muitos entendem que a democracia é o modelo mais adequado, embora talvez seja necessário resgatar o debate de qual tipo de democracia deveríamos ter no Brasil. Afinal de contas, será que nossa democracia representativa não tem algo para melhorar? Um dos sérios problemas que possuímos é a relação entre candidatos e empresas financiadoras. Há solução para isso?

quarta-feira, 1 de março de 2017

Sobre os oito bilionários e o capitalismo

A notícia é velha, mas vale a pena conferir clicando no link. Veio à tona em discussão num grupo do Facebook que faço parte, pois iniciou-se mais um debate sobre capitalismo e comunismo (para algumas pessoas, ainda estamos na Guerra Fria). Enfim, dessa reportagem eu peguei a imagem abaixo, que identifica quem são os oito bilionários.
Bilionários

1. Bill Gates (EUA): cofundador da Microsoft - US$ 75 bilhões
2. Amancio Ortega (Espanha): fundador da Inditex, da Zara - US$ 67 bilhões
3. Warren Buffett (EIA): maior acionista da Berkshire Hathaway - US$ 60,8 bilhões
4. Carlos Slim Helu (México): dono do Grupo Carso - US$ 50 bilhões
5. Jeff Bezos (EUA): fundador e principal executivo da Amazon - US$ 45,2 bilhões
6. Mark Zuckerberg (EUA): cofundador e principal executivo do Facebook - US$ 44,6 bilhões
7. Larry Ellison (EUA): cofundador e principal executivo da Oracle - US$ 43,6 bilhões
8. Michael Bloomberg (EUA): cofundador da Bloomberg LP - US$ 40 bilhões
(Fonte: BBC)
Vem a pergunta provocativa: a acumulação de capitais destes oito senhores evidencia o sucesso em oferecer uma mercadoria socialmente aceita? Ilustra o sucesso do capitalismo? Sobre isso, elenquei os seguintes pensamentos:


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Sobre Dória, duas ideias

Duas postagens minhas no Facebook sobre as ações do Dória:

João Dória esteve em cadeiras de rodas para saber se as calçadas eram acessíveis (seu assessor esteve por trás o tempo todo, para garantir a segurança do chefinho).
João Dória apaga grafittis como se fossem pichações, deixando a cidade sem cor, sem vida. Até as salas de aula da Fundação Casa tinham duas cores, mas SP só tem uma, a cinza.
João Dória se veste de gari no primeiro dia de trabalho, o que não garante que irá melhorar as condições de trabalho de tais profissionais.
João Dória, mais que isso, se veste como a triste caricatura que a elite e a direita paulistana viam no Haddad, pois acha que está fazendo igual ou melhor que o antecessor.
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Ainda sobre o debate em relação ao Dória e seus 50 tons de cinza:
- ainda não consegui confirmar, mas parece que o Dória apagou o maior painel de arte urbana do mundo, feito com artistas de vários países e que não foi feito de graça;

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"Jesuis" - que se fale de Je Suis Charlie e dos muçulmanos


O humor é uma provocação. Tira-se sarro daquilo que se deseja mudar - ou até mesmo banir. O humor tem autorização prévia para refletir, como um espelho, aquilo que nos tornamos com o passar do tempo.

Há diversos níveis de humor: os que contribuem, os que atrapalham. Para dar exemplo: Chaplin riu de Hitler, Chico Anysio riu dos mais humildes. Rir de quem tem força ajuda a pensar sobre o porquê dessa pessoa ter força; rir de quem é fraco incentiva apenas a que fracos não percebam que são fracos, pois juram que são diferentes - são "potenciais fortes".

Eu vi as charges do jornal francês. Francamente falando, são charges que incomodam o mundo islâmico, afinal, qualquer tipo de representação de Deus é proibida; mais que isso, muitas vezes Deus (se preferirem, Alá) era posto em situações homossexuais passivas. Particularmente, acredito que se possa fazer desenho pornográfico de outras coisas. Não ficou claro pra mim qual o objetivo delas. Certas charges parecem ter a importância de um filme de Chaplin; outras, parecem ter sido feitas por Danilo Gentili num momento em que ele estava com disenteria e uma prancheta. O que se pretendia? Rir do "outro", o muçulmano, numa Europa cada vez mais xenofóbica? Criticar a homofobia, num mundo cada vez mais intolerante? Fazer a charge e forçar a reclassificação do periódico para maiores de 18 anos? Em fato, pode-se dizer que as charges são desnecessárias (e concordo com isso!), mas algumas coisas não estão me deixando feliz.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Putin movimenta suas peças

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a Europa entrava em um novo cenário em que figurava como coadjuvante de duas superpotências, URSS (que travou uma guerra direta com os alemães) e EUA (que travou batalhas mais próxima à periferia da Europa, apesar do que insistam os filmes hollywoodianos). Estes países, de ideologias oficialmente antagônicas (socialismo, cujo núcleo reside na ideia de que os trabalhadores controlariam a produção, e capitalismo, respectivamente), tinham um poder bélico acumulado em condições anormalmente elevadas em tempos de Europa devastada e restante do mundo em vias de se descolonizar.

A Guerra Fria foi um período em que o conflito, por mais que se vislumbrasse no horizonte, não poderia se materializar. Dentro dos Estados Unidos, ao longo de décadas, criou-se a ideia de uma expansão soviética ameaçadora, motivo que fez com que, nas eleições internas, muitos políticos fossem eleitos e fizessem carreira prometendo ser contrários a qualquer relação amistosa com a URSS (cuja postura sempre foi a de expansão contínua, nunca a de expansão a qualquer custo). Alguém poderia perguntar o motivo pelo qual os dois países não se enfrentariam; para responder, basta ter em mente que uma guerra só é feita quando há certeza da vitória (as exceções foram as guerras mundiais) e quando a perspectiva de lucro no pós-guerra é superior aos gastos com ela em si. Nenhuma dessas condições foram atendidas ao longo das décadas e, à medida que a corrida armamentista se intensificava, mais complicada se tornava uma guerra aberta.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Não falta água apenas, faltam também vida e política públicas



Muitas vezes se diz às crianças que as enchentes acontecem por causa do lixo que é atirado pelas pessoas, o que isenta o governo de suas más administrações e põe a culpa do problema naqueles que mais sofrem com ele. Até vinheta da Globo já teve indicando isso, à medida que a personagem jogava lixo na rua e a enchente a deixava cheia de garrafas e demais resíduos acumulados em todos os lados. Essa resposta é uma opção política, capaz de agradar o lado mais perverso de nossa classe média ("Mas de quê reclamam? Se moram ali, é porque querem, oras.."). Uma equação bem antiga, mas que ainda ecoa nas escolas atuais e cérebros antigos.

Às vezes, explicar política às crianças deveria ser um exercício fundamental para fazê-las entender que o mundo não é dividido entre eles x nós. Há diversos elementos que podem trazer questionamentos, e reduzir o debate através da demonização de um lado apenas faria com que o debate de ideias tangenciasse perigosamente a violência. É necessário que lamente-se o fato de que as crianças não parecem se interessar tanto assim por política - aliás, a maior parte dos jovens parece seguir esse rumo. É mais fácil ficar no mundo da superficialidade e das informações associativas do que aprofundar-se em temas muito abstratos (às vezes, obscuros até, como é o do domínio da política).


 










Mas tudo muda quando falta água.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Anões com armas, anões com palavras..

Vamos supor que eu, professor, dissesse em sala de aula que pessoas do Norte do Brasil não são tão competentes quanto as do Sul do país. Obviamente, essa é uma hipótese que por si só é absurda, mas as desdobremos para fins elucidativos. Algum professor de outra área, eventualmente, me corrige, apontando que meu comportamento é inadequado com o que se espera de um professor. Minha reação, dentro de tal hipótese, seria dizer que tal professor perdeu a chance de ficar quieto e que sua opinião demonstra seu "nanismo docente". Foi mais ou menos isso que aconteceu na relação entre Israel e Brasil, mas que falarei depois.
Recentemente, fui provocado a falar sobre um vídeo compartilhado no Facebook pela Federação Israelita de São Paulo. Como faço esta postagem para ser atemporal, espero que não removam o vídeo, que pode ser assistido abaixo no momento em que escrevo.
Analise-se quem postou tal vídeo. Não estamos falando de um vídeo com intenção de analisar geopoliticamente o governo de Israel e suas atitudes, mas de uma federação cuja principal proposta é "fortalecer o judaísmo, preservando a continuidade dos valores e tradições judaicas", conforme pode ser observado aqui


Eis um de nossos problemas, tal federação não busca em nenhum momento dissociar a ideia de que há um conflito territorial em pauta, omitindo o projeto nacional israelense e defendendo a tese de que tais eventos são por inveja, religiões ou por pura violência. Israel quer existir como um estado judaico e viver em paz, diz, mas esse mesmo direito é tolhido aos palestinos, como se eles não habitassem a região previamente. Mais que isso, o discurso mostra o tempo todo o uso do termo judeu e há consequências imediatas disso, pois o leitor mais atento saberá que judeu e muçulmano não são termos sinônimos a israelenses e palestinos, respectivamente - mas nem todos os leitores são atentos a essa nuance, fato que pode fazer com que alguém imagine que os conflitos explicam-se somente por esse viés. As religiões nem são tão diferentes assim, já que o alcorão tem grande influência do Antigo Testamento, não?..
O estadunidense diz ser um conflito simples, mas ele é complexo, sim. Como escreveu um amigo palpiteiro da USP, "pessoas estúpidas apreciam respostas simples para questões complexas". Dizer que o conflito é baseado na intenção de um querer o outro povo morto reduz o outro a agente capaz de oferecer somente violência, excluindo-se os direitos que este poderia eventualmente ter.

sábado, 19 de julho de 2014

Tanto mar..

Quando o avião da Maylasia Airlines (MH-370) desapareceu, no início do ano, cogitou-se que tivesse sido encontrado ao sul da Austrália. Ao chegarem no local, entretanto, viu-se que não eram destroços do avião, mas contêineres que boiavam nas águas do extremo austral. Noticiou-se que poderiam ter caído de um navio, embora muitos tenham sido suspeitado que seria lixo atirado pelos chineses, como se fosse normal deslocar um navio a fim de atirar rejeitos próximo à Antártida.

Há muito que nossa relação com os oceanos nos criaram uma outra preocupação, mas desta vez ligada aos Estados Unidos: está se formando um "continente" de plástico a partir daquilo que o país atira em tais águas. Sim, trata-se de outro caso em que se prefere transferir o problema a resolvê-lo adequadamente.


Lembre-se que, num primeiro momento, o problema não é o lixo, mas lixo. O início dessa discussão já é complicado, pois o termo lixo é, em si, depreciativo e criador da ideia de que aborda algo que não tem nenhum uso ou valor. Por isso que é melhor abordar tais materiais não com tal termo, mas como resíduos.
Dito isso, aborde-se quantos e quais são os tipos de resíduos, a saber:
- sólido: aquilo que (quase) todo mundo sabe que é reciclável;
- úmido: também pode ser reciclável e, grosso modo, aborda tudo aquilo que pode virar adubo;
- humano: aquilo que sai dos hospitais e de nossos corpos;

domingo, 19 de janeiro de 2014

Sobre os rolezinhos

O assunto da moda é o rolezinho e eu me sinto na obrigação de tecer alguns comentários:

1. Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

A Constituição não diz que o direito de ir e vir é válido somente quando as pessoas estão em pequenas aglomerações.
Há baderneiros? Sim. A polícia tem que agir sobre eles de forma a garantir que os outros possam fazer tranquilamente seu rolezinho. Logo, a polícia tem que proteger os indivíduos que ali estão, não atacá-los.

2. Há tempos que "o direito à cidade" tem se tornado "o direito somente ao consumo da cidade". Reflexo disso é a falta de espaços de convívio público, sobretudo em São Paulo, onde as distâncias, os custos e os problemas com transporte inibem o lazer gratuito. Por favor, atentem à diferença entre "espaço público" (planejado e construído segundo os órgãos públicos de forma a atender a sociedade) e "espaço coletivo" (lugar em que indivíduos diferentes se encontram, propositadamente ou não).

3. O que o shopping é:
(A) um local onde se pode comprar mercadorias a um preço maior do que o de comércio de rua;
(B) um local onde se consome status;
(C) um local onde se consome segurança;
(D) todas as opções acima.

Como postou um amigo meu, o shopping se tornou um espaço em que a suposta segurança é vendida às pessoas (que pagarão caro no estacionamento para terem acesso) e aos lojistas (que pagarão caro no aluguel e nas taxas para poderem estar ali). E se os lojistas começarem a se convencer de que o comércio de rua é mais seguro e mais rentável, como fica um mercado que movimento bilhões anualmente?

4. Só eu sinto um cheiro forte de preconceito e racismo quando vejo a mídia abordar o rolezinho? O que eu tenho lido de gente que reclama de falta de "bom senso" dos "rolezeiros"... peraí, todo mundo quer se divertir! Achar que um grupo social não pode porque atrapalha o dia sagrado do consumo é bem tosco..


Atualização: vale a pena gastar 20 minutos do seu dia para ver este víde.
http://www.dailymotion.com/video/xe4px_era-uma-vez-um-arrastao_news

terça-feira, 30 de julho de 2013

Sobre aventais

Semanas atrás, escrevi que as reclamações dos médicos, da forma como vinha sendo feita, parecia ser uma declaração de guerra à sociedade. Palavras de ordem, médicos recebendo hora extra para irem aos protestos, cubanos virando inimigos da direita..
Aí eu me encontro com este vídeo.
Que os bons médicos - e eles existem! - me perdoem, mas tá na hora de revermos o papel do Estado brasileiro de fornecedor de recursos para classes parasitas que se acomodaram no funcionalismo público. É por essas e outras que eu sou favorável aos médicos estrangeiros (cubanos e europeus), além de uma prova de competência nos mesmos moldes daquela que a OAB aplica a quem se forma em Direito.

http://tvuol.uol.com.br/assistir.htm?video=medicos-batem-ponto-sem-trabalhar-em-hospital-publico-de-sp-04028C983366C4B14326

sábado, 30 de março de 2013

Liberdade de Expressão, Capitalismo e Questão Homoafetiva

Vivemos um período tenso: as pessoas não entendem o que é liberdade de expressão. Vamos ser claro: em períodos de profunda repressão, a coisa mais normal que exista é a censura. Daí que vem o poder sagrado da liberdade de expressão! Poder manifestar-se sobre diversos temas, como a política, é algo fantástico!..

Contudo, por mais que eu tenha a liberdade de expressão, ninguém me vê dando opiniões médicas ou ligadas a ciências exatas sem que eu minimamente tente estudar sobre o tema abordado e, quando eu começar a opinar, vcs me verão deixando claro que estou aberto às críticas e eventuais correções.

O grande problema de dar opiniões num mundo em que as pessoas não sabem o que significa "liberdade de expressão" é quando as pessoas debatem sobre sensos comuns, como racismo, homossexualidade ou democracia. Quer ver um caso? As pessoas entendem que democracia é, grosso modo, a ditadura da maioria. Como se, EM TODOS OS CASOS, a maioria tivesse que ser preponderante sobre a minoria.

Não é bem assim.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Algumas perguntas

Somos uma sociedade?
Somos uma sociedade de machistas?
Somos uma nação?
Somos uma sociedade, uma nação ou um amontoado de pessoas que toleram estupro de mulheres, caso o estuprador seja de alta classe ou poderoso?
Até quando seremos um país cujas leis se aplicam somente aos pobres?
Toleramos toda e qualquer ação policial ligada ao nosso próprio apartheid?
Deixaremos nossos criminosos soltos?
Continuaremos sendo cegos com relação à injustiça contra pobres e mais fracos?
Nossa imprensa tem credibilidade? Ela é imparcial?
Até quando seremos um país que culpa a natureza pelo fato de que ser político no Brasil é uma profissão que não está ligada às responsabilidades sociais?


Até quando?

Atualização: parece que o filho do Alckmin realmente não esteve preso no Uruguai, embora a polícia uruguaia continua insistindo que foi o filho do nosso querido governador. Sendo assim, para evitar injustiças, desconsiderem a imagem e levem em consideração esta notícia: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/blogueiro-que-denunciou-estupro.html

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Qual o limite da publicidade?


A maioria dos brasileiros maiores de idade conhecem a Caixa Econômica Federal (CEF), banco público que participa do mercado brasileiro. Boa parte do público, inclusive, se sentiu injustiçada com o patrocínio que a CEF estabeleceu com o Corinthians, time de São Paulo. Pela internet, muita gente questionou tal parceria e eu cito Ricardo Perrone para simbolizar tal repúdio.
O twitter foi o espaço escolhido por cartolas e conselheiros são-paulinos para demonstrar sua insatisfação.  “O patrocínio da CEF (Caixa Econômica Federal) é descaradamente pool político”, escreveu Roge David, ex-diretor de marketing do São Paulo. Ele estava no cargo na época em que houve a aproximação do banco.
“Revoltante, já fizeram o estádio”, foi uma das manifestações de Julio Cesar Casares, vice de marketing do São Paulo em sua conta.